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Antônio Neuriclaudio – Árbitro de boa técnica e dez finais de Campeonato Acreano
Apito
05.07.2020 - 14:01 - Acre
Foto: Acervo Antônio

Revelado em competições organizadas pela Liga Rio-branquense de Futebol na década de 1990, o ex-árbitro Antônio Neuricláudio do Rêgo Costa, 44 anos, teve sua primeira chance na arbitragem pelas mãos do árbitro Francisco Sobrinho (Chicão) durante a disputa do Campeonato de Férias.

A boa sequência de jogos nas competições amadoras de Rio Branco rendeu logo cedo ao árbitro grandalhão sua primeira decisão na carreira, quando dirigiu a final do Campeonato de Férias/2000. O jeito clássico e tranquilo de conduzir a decisão chamaram a atenção do cronista esportivo Raimundo Fernandes, esse produzindo uma matéria a respeito das suas qualidades para circular nas páginas do jornal O Rio Branco. O material chamou a atenção do departamento de arbitragem da Federação de Futebol do Acre, à época formado pelos professores Wagner Cardoso e Josemir Raulino, que passaram a acompanhar mais de perto o trabalho do árbitro.

Com a carreira promissora nas competições amadoras, o árbitro Antonio Neuriclaudio, que já havia participado de um curso de arbitragem oferecido pela Federação de Futebol do Acre na temporada de 1999, então ganhou sua primeira oportunidade numa disputa de Campeonato Acreano. O duelo ocorreu no Stadium José de Melo, no dia 10 de maio de 2000. O resultado da primeira experiência profissional rendeu no currículo do árbitro oito expulsões, num duelo acirrado entre Rio Branco e Andirá. “Era um jogo pegado e eu, ainda nervoso pela estreia, e sem muita experiência, tive muito trabalho naquela noite para segurar o jogo e o resultado disso tudo foram oito expulsões, com quatro para cada lado”, lembrou sorridente o árbitro.

As referências na carreira e o jogo inesquecível

No início da carreira, Antonio Neuriclaudio garante que tinha duas referências na arbitragem. A primeira delas era o acreano Antonio Marcus Barros Café e o segundo, o paulista Paulo César de Oliveira. “Eram dois bons árbitros. O Marcus Café tinha excelente condução do jogo e o Paulo César era um árbitro clássico e com boa aplicabilidade das regras. Foram meus espelhos na minha carreira de árbitro”, comentou Neuriclaudio.

A respeito de algum jogo que tenha tido uma atuação bastante indesejada, ele disse que não lembra, mas explicou que durante alguns jogos deixou o gramado pensativo pelas decisões ajustadas tomadas durante a partida.

Sobre o jogo inesquecível na carreira, o personagem não pensou duas vezes e elegeu o amistoso entre Rio Branco 2 x 1 Brasil (sub-20), ocorrido dia 17 de dezembro de 2006, quando da inauguração do estádio Arena da Floresta. “Não foi um jogo qualquer ou um simples amistoso, mas sim, um espetáculo que ficou registrado na história de nosso futebol”, ressaltou o ex-árbitro.

De acordo com Antonio Neuriclaudio, ele atuou profissionalmente de 2000 a 2018, entrando em campo por 207 vezes, cinco como árbitro adicional pelo Campeonato Brasileiro da Série A. Ele garante ainda que fez outros 62 jogos trabalhando em competições nacionais: 30 na Série B, 10 na Série C, 10 na Série D, oito na Copa do Brasil e outros quatro na Copa Verde. No cenário futebolístico local, ele diz que foi escalado em 130 oportunidades. Entre essas escalas, dez vezes foram para dirigir finais do Campeonato Acreano.

No que diz respeito aos jogadores que davam trabalho dentro de campo, Neuriclaudio listou cinco nomes: Ley, Doka Madureira, Testinha, Ricardinho e Jô. “Esses caras davam trabalho, mas se eu forçar a minha mente tem mais alguns”, disse sorridente ele, elegendo ainda Ismael, Ananias, Fabiano e Joel como atletas que sempre colaboram para a boa condução do jogo.

Oportunidades, frustração e agradecimento

Mesmo não chegando ao patamar máximo da carreira, Neuriclaudio, hoje com formação superior em gestão pública, não esconde que a função de árbitro de futebol teria contribuído positivamente para abrir as portas para a sua formação de cidadão. “Só tenho a agradecer por essa minha vivência no esporte (vôlei, futsal, futebol) e, em especial, na função de árbitro, pois foi com um apito na boca e outros dois cartões entre os dedos que conquistei respeito, amizade, disciplina e elogios, além de inúmeras viagens que me deram a oportunidade para conhecer outras culturas.

Mesmo fora dos gramados, Antonio Neuriclaudio continua influente na arbitragem local. Nos últimos anos ele passou a fazer parte do departamento de arbitragem da Federação de Futebol do Acre (FFAC). O bom trabalho realizado rendeu a ele o cargo de analista de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Na sua trajetória de árbitro, Neuriclaudio, hoje assessor parlamentar do vereador Antônio Morais (PSB), lamenta apenas as poucas oportunidades surgidas durante a carreira em nível nacional, pois, segundo ele, apresentava características suficientes para chegar bem mais adiante no apito. Mas, sereno, ele deixa claro que não guarda magoa nenhuma dessa situação. “Eu acredito que se tivéssemos mais oportunidades durante as escalas chegaríamos à elite da arbitragem brasileira como árbitro central e representando muito bem o nosso estado. No entanto, as constantes mudanças ocorridas no comando da Comissão Nacional de Arbitragem contribuíram de uma forma ou de outra para não alcançarmos nosso objetivo desejado que era dirigir jogos da elite de nosso futebol”, analisou ele.

E, por fim, ele aproveitou para agradecer aos professores Josemir Raulino e Vagner Cardoso pelas oportunidades dadas a ele na carreira de árbitro, lembrando ainda do olho clínico do jornalista Raimundo Fernandes, esse acreditando que ele teria potencial para ser um dos principais árbitros das últimas duas décadas no estado, algo concretizado.

Na inauguração do estádio Arena da Floresta em 2006, o árbitro Antônio Neuriclaudio conduziu o jogo amistoso entre Rio Branco e Brasil sub-20. Foto/Manoel Façanha.

Fonte: Manoel Façanha
 
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