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Tidalzinho – Goleiro e treinador por tradição, filiação e vocação
História
05.07.2020 - 12:33 - Acre
Foto: Manoel Façanha

Defender bolas e treinar goleiros parece ser o destino da família Venâncio, tradicional no bairro 15, no segundo distrito de Rio Branco. Pelo menos duas gerações, até hoje, seguiram esse caminho. Primeiro com o veterano Ocivaldo Pinto Venâncio, o Tidal. Depois com o jovem senhor Ofleiby de Oliveira Venâncio, o Tidalzinho. Pai e filho, respectivamente.

Nascido no dia 11 de maio de 1977, Tidalzinho cresceu vendo o pai se desdobrar para segurar as bolas chutadas rumo ao gol do Atlético Acreano. Dessa forma, talvez pela necessidade de seguir os passos do “velho”, ele desde cedo entendeu que também seria goleiro. E aí ele assumiu essa posição ainda nas primeiras peladas no pátio do Instituto Imaculada Conceição.

Em 1993, mal completados 16 anos, Tidalzinho foi levado pelo próprio pai para fazer um teste nos juniores do Atlético. Mostrou segurança e talento para os avaliadores, como não poderia deixar de ser. Mas ficou pouco tempo no Galo, se transferindo no ano seguinte para o Rio Branco onde permaneceu até 1997, subindo dos juniores para o time principal.

Tidalzinho contou que dois técnicos foram essenciais para a sua formação como jogador de futebol. Primeiro, Paulo Roberto que o recebeu na base do Rio Branco e lhe deu conselhos preciosos para a sequência da carreira. Depois, o treinador Jota Alves, que o lançou como titular num jogo do Estrelão contra a Adesg. “Nós ganhamos de 3 a 0”, disse o ex-goleiro.

Outras camisas e duas defesas inesquecíveis

O Rio Branco foi apenas o time que projetou Tidalzinho como jogador profissional. Depois do Estrelão, vieram vários outros, inclusive fora das fronteiras do Acre. Em terras acreanas, além dos já citados Atlético e Rio Branco, ele defendeu também a Adesg, o Independência e o Vasco. Fora do estado, ele jogou pelo Sul-América (AM), Genus (RO) e Cruzeiro (RO).

“A minha experiência em times fora do meu estado de origem se deu, primeiramente, pela intervenção do ex-árbitro e, na época, treinador, José Ribamar Pinheiro de Almeida. Ele tinha uns contatos em Manaus e me mandou para o Sul-América, isso em 2006. Já nos times de Porto Velho, eu joguei por indicação de um colega chamado Becão”, disse Tidalzinho.

No quesito defesas e jogos inesquecíveis, o ex-goleiro confessou ser muito difícil escolher, uma vez que ele participou de muitas decisões, em todos os times pelos quais passou. Em cada um desses times, segundo ele, foram vividos muitas situações emocionantes. Mas, depois de pensar um pouco, citou como momentos excepcionais dois pênaltis que ele defendeu.

“Teve uma decisão entre Independência e Rio Branco, em 1999, comigo jogando pelo Tricolor de Aço, que eu defendi um pênalti, aos 43 minutos do segundo tempo. O jogo foi empate. Pena que a gente perdeu na prorrogação. E teve outro pênalti que eu defendi jogando pelo Sul-América, contra o Nacional, em pleno Vivaldão. Isso foi demais”, falou Tidalzinho.

Chuteiras penduradas e novos desafios

Quando resolveu pendurar as chuteiras, Tidalzinho havia voltado ao futebol acreano e estava com 33 anos. Dono de uma ótima condição física e em plena forma técnica, ele poderia até ter permanecido em campo durante muito mais tempo. Mas aí, talvez inspirado mais uma vez no exemplo do seu velho Tidal, ele foi estudar e se iniciar na profissão de treinador de goleiros.

Hoje prestando seus serviços ao Galvez, ele já trabalhou nessa nova condição em todos os grandes clubes do Acre. E até teve uma passagem rápida pelo futebol internacional, no boliviano Mariscal Sucre. Segundo ele, seria difícil exercer alguma profissão que não tivesse alguma relação com o futebol. “Eu me dedico praticamente o tempo inteiro ao esporte”, afirmou.

Desafiado para escalar uma seleção de jogadores do futebol acreano, ele relacionou os seguintes nomes: Tidal: Ricardo, Dodi, Paulão e Gerson: Redson, Zé Marco e Doka Madureira; Dim, Juliano César e Ley (irmão do Dim). Na condição de melhor técnico, dirigente e árbitro, ele escolheu, respectivamente, José Ribamar Pinheiro, Diogo Elias e Marcos Café.

Por último, Tidalzinho não se escusou de falar sobre duas questões. Primeiro, a diferença do futebol acreano antigo e o atual. “No passado, sem sombra de dúvida, existiam muitos mais craques, muito mais jogadores de excelente nível técnico”, disse. E segundo, sobre o que um garoto deve fazer para vencer. “Treinar com dedicação e respeitar o próximo ao máximo”.

Galvez – 2019. Em pé, da esquerda para a direita: Tidalzinho (treinador de goleiros), Thiago Rocha, Reginaldo, Alisson, Neném, Binho, Geovanni e Zé Marco (técnico). Agachados: Thiaguinho, Pedro Balu, Ciel, Renato e Adriano. Foto: Francisco Dandão.

Fonte: Francisco Dandão
 
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