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Pleno condena Fast por racismo, mas isenta perda de pontos
Bastidores
22.02.2018 - 11:05 - Amazonas

Após a terceira Comissão Disciplinar condenar o Fast com perda de três pontos e dois mandos de campo, além de multa de R$ 1 mil, o Pleno do Tribunal de Justiça do Amazonas decidiu, no fim da noite desta quarta-feira, contrariar em parte a primeira votação. O clube foi declarado culpado, por cinco votos a quatro, mas acabou isento da perda de pontos e mando de campo. Por outro lado, a multa foi acrescida de R$ 1 mil para R$ 3 mil. Seis julgadores, além da relatoria e presidente do TJD, Edson Rosas, votaram na sessão.

O julgamento ocorreu porque, no último dia 27 de janeiro, parte dos torcedores do Fast, no jogo contra o Penarol-AM, teriam supostamente ofendido o assistente Uesclei Regison Pereira dos Santos com gritos de "macaco" e "senzala". O fato foi relatado em súmula assinada pelo próprio assistente e pelo árbitro do jogo Weden Cardoso, o qual revelou que o colega não queria relatar o ocorrido, mas decidiu para que seja um exemplo aos outros profissionais.

Como fica o Campeonato Amazonense

Como não houve perda de pontos, o Fast segue na liderança do Grupo B e avança de forma direta às semifinais do estadual. Já Manaus e Rio Negro ficam na segunda e terceira colocação, respectivamente, e enfrentam Nacional e Princesa, já nesta quinta-feira, pelas quartas de final.

O julgamento

O julgamento do Fast começou às 20h. O advogado de defesa do clube tentou desqualificar o relato feito em súmula pelo assistente Uesclei Pereira, apontando uma rasura no documento e tratando como vago o relato em si, utilizando parte da fala do árbitro no documento, na qual ele afirma não ter conseguido identificar especificamente a pessoa que teria proferido os insultos racistas, pedindo a absolvição do clube.

A procuradoria, porém, defendeu a condenação de clube e torcida, lembrando que o Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê que a súmula tem presunção de veracidade, o que seria o suficiente para que seja imputada à defesa a obrigação de desconstruir a acusação.

A relatoria também desqualificou a fala da defesa, relembrando casos semelhantes e ressaltando que o caminho natural deste tipo de processo é a condenação da equipe envolvida, e votando pela perda de mandos, de pontos, e majoração da multa, com dinheiro convertido em campanha para conscientização de torcedores sobre injúria racial nos estádios.

O primeiro julgador acompanhou o relator na perda de mandos e multa, mas divergiu quanto à perda de pontos. O segundo julgador votou pela absolvição do clube. O terceiro julgador votou pela absolvição. O quarto julgador acompanhou o relator. O quinto julgador votou pela absolvição e sexto julgador acompanhou o relator.

O presidente do TJD, Edson Rosas, votou pela condenação, justificando que não existe um caso no Brasil onde um clube tenha sido réu num caso de injúria racial e tenha sido absolvido, e levou em consideração a vida pregressa da torcida do Fast. Com isso, por maioria de votos, o clube foi condenado à multa, mas absolvido quanto à perda de pontos e de mando.

Entenda o caso

O árbitro assistente Uesclei Regison Pereira dos Santos relatou, na súmula da partida entre Fast e Penarol, no dia 26 de janeiro, um caso de injúria racial, acusando parte da torcida do Rolo Compressor. O profissional afirmou ter escutado uma série de insultos após assinalar um impedimento no final da partida, quando o Leão da Velha Serpa vencia o time da casa por 2 a 0.

Entre as perjúrias, há palavras como macaco e senzala (uma espécie de habitação ou alojamento dos escravos brasileiros). O caso foi denunciado, primeiro, pela vítima, Uesclei Regison Pereira dos Santos, e, em seguida, pelo árbitro, Weden Cardoso Gomes.

Foto: Marcos Dantas
Fonte: Globoesporte.com
 
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