Colunistas
Zona de Degola
por Francisco Dandão

Qualquer que seja o esporte, desde o momento em que esteja estabelecida a disputa, o resultado tem o poder de causar extrema felicidade em um dos lados e profundo pesar no lado diametralmente oposto.

Com o decorrer da competição, para aqueles que as coisas vão dando certo, diz-se que estão num "G" qualquer coisa. Ou seja, no grupo daqueles que sairão com todas as glórias e terão o direito a algo melhor no futuro.

Da mesma forma, de acordo com os resultados negativos que vão se acumulando no currículo de alguns, destes se diz que estão num "Z" qualquer coisa. Ou seja, vão sofrer os castigos pela falta de bons resultados.

Destes últimos se costuma dizer que estão na "zona de degola", rondando o patíbulo onde um carrasco malvado está esperando a hora certa para descer-lhes a guilhotina no pescoço e fazer-lhes decepar as cabeças.

Trazendo para os dias que correm, exemplos dessa turma do "G" qualquer coisa são Vasco, Corinthians, Botafogo e Flamengo, times que andam sobrando na fita na série A do campeonato brasileiro de 2011.

E igualmente, para não dizer que eu sou preconceituoso com os emergentes, outros bons exemplos de "G" qualquer coisa são Portuguesa, Ponte Preta, Náutico e Americana, na série B do mesmo Brasileirão.

Já os exemplos da "zona de degola", estes abundam na mesma proporção daqueles outros. Pela série A, debatem-se neste momento com a água quase no nariz Ceará, Atlético do Paraná, Avaí e América Mineiro.

Enquanto isso, prestes a descer um degrau na gangorra da sua existência, da Série B para a Série C, caminham a passos céleres Icasa-CE, Vila Nova-GO e Salgueiro-PE. O Duque de Caxias já foi pras "cucuias".

Mas é claro que a tal "zona de degola", esportivamente falando, não se refere tão somente a equipes que rondam o descenso de divisão. Vai bem mais além. Tão além que às vezes a gente nem sabe onde pode chegar.

Veja-se, a propósito disso que eu estou tratando aqui neste texto, essa situação do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, o vetusto (assim como seu ex-sogrão Havelange) Ricardo Teixeira, alvo de investigação policial por conta de denúncias de corrupção É ou não é um clássico caso de "zona de degola" de dirigente esportivo? É ou não é?

Ou então, trazendo o tema aqui para bem pertinho da gente, essa confusão em que se meteu (ou seria melhor dizer "em que foi metido?) o Rio Branco, que por buscar um direito líquido e certo que lhe assistia, e que lhe fora tirado pela (in)justiça desportiva, correu o risco até de ser excluído do futebol. Era ou não era outro caso de "zona de degola"? Era ou não era?

A "zona de degola", eu diria, é o próprio contrário das máximas certezas: uma espécie de temor (ou até mesmo "terror", dependendo da ameaça) que nos faz permanecer hesitando entre o ser e o não ser. Cruzes!

 
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